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terça-feira, 29 de abril de 2014

Nascimento | Hugo

Começar um dia pegando a estrada na madrugada, ver o sol nascer entre os montes verdes da paisagem, vista pelas janelas do carro. Chegar em uma casa onde o pão fresquinho acaba de chegar da padaria. Sentir o cheiro de um lar. Encontrar uma amiga querida a doular a parturiente. Cruzar o olhar com o de uma mulher - no seu momento mais poderoso - e ainda ganhar um sorriso sincero (de alívio talvez pois você chegou a tempo!). Assim foi o começo da minha história com essa família linda. 
Chegar e sentir o clima de um parto, prestes a acontecer a qualquer momento, é mágico - e um privilégio de poucos. Na praticidade dos nascimentos com hora marcada muito dessa magia se perde.
Mas aqui o que tenho a oferecer é isso... o registro de histórias de respeito à vida, de respeito ao tempo, seja ao da mãe ou do bebê. 
Sempre encontro alguém que me pergunta: "e cesáreas, você não fotografa?". Sim, as necessárias. Aí uma fotógrafa, certa vez, me questionou - de uma forma extremamente agressiva, como se eu estivesse cometendo uma falta grave ao fazer essa opção - se não era direito da mãe optar pela forma de nascimento do seu filho. E também questionava qual conhecimento "técnico" eu tinha para fazer essa "triagem", do que era uma cesárea necessária ou não. Simples. Só trabalho com equipes que realizam um trabalho dentro da linha humanista. Médico "tipumanizado" não trabalho. Sofro, de verdade, ao ver uma mãe agendando seu "parto de emergência" para o final do dia seguinte pois o bebê está em sofrimento (??). Ou agendando o nascimento do bebê de 37 semanas pois o médico disse que a criança já está muito grande e ela não tem bacia larga o suficiente (???). Percebem? Basta um pouco de informação para que a triagem seja feita naturalmente. Para não sofrer presenciando esse tipo de encenação, trabalho apenas com profissionais que possuem selinho de qualidade "dr. Jorge Kuhn é meu amigo". :)   
E assim trabalho feliz. Até hoje registrei 4 cesáreas. Duas necessárias. As outras duas, sem dúvida, por comodidade médica. A partir desses dois casos optei por dispensar pedidos de registro fotográfico com equipes que não conheço. E as cesáreas necessárias? foram lindamente registradas. Mães, bebês e fotógrafa passam bem.   
Como escrevo mil histórias ao mesmo tempo, que no fundo se fundem numa só, resta eu contar essa...
Quando falo da importância de ter uma câmera backup, muitos acham exagero, que apenas uma só dá conta do recado, que basta dar a manutenção correta e blá, blá, blá... Ok, tinha comigo uma câmera que funcionava que era uma tetéia, uma flor de liz de formosura. Essa eu usava para filmar, enquanto a outra ficava, basicamente, para as fotos. Eis que, do nada, ela resolveu dar tilt. Travava, não ligava, tirava bateria, trocava a lente. E a bonitona lá, fazendo graça, nada de funcionar. Não entrei em pânico por um motivo simples: tinha uma outra câmera na mão. E se eu não tivesse? pensem no perrengue... uma sessão gestante a gente desmarca numa situação dessas... agora, num parto a gente faz o que? senta e chora? Pois é, humanos falham, máquinas também. Por isso, aviso aos incautos,  câmera extra sempre. 
Hugo, bem vindo a esse mundão lindo! Se ainda não te contei, aqui tem chocolate!!




 Clara Sanfelice e Olivia Separavich - parteiras urbanas 




 Porque oração de avó e de parteira sempre traz mais paz ao ambiente...
















 ahhh, essas doulas tão queridas... Letícia Arruda. 
3.710 kg de puro amor






 Helena, agora com o posto de irmã mais velha, dando as boas vindas ao irmão, sob o olhar atendo da amiguinha que também veio para a festa  :)



Um brinde à vida! 



Equipe: 
Olivia Separavich e Clara Sanfelice - obstetrizes
Leticia Arruda - doula
Kelly Stein - fotógrafa

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Artur | Nascimento

Esta semana estou embalada pelos nascimentos...
Hoje resolvi mostrar a chegada do Artur.
Esse nascimento foi mais que especial para mim - como fotógrafa, todos o são, sempre. Agora, como amiga, é um sentimento indescritível poder estar presente na chegada do filho de um casal tão querido, da uma irmã de coração. 
Tinha uma viagem marcada e o tal Tutu não nascia. Acordei de madrugadinha, para sair de casa com as crianças dormindo no carro. O combinado era que eu voltaria do litoral assim que soubesse do trabalho de parto (combinado de ficar "de mau" se a Ju não me ligasse). Assim que vi a mensagem, olhei para meu marido já soltando um "vai você com as crianças e eu fico". Ele fez rapidamente as contas para ver quanto tempo eu demoraria, indo de ônibus para encontrá-lo, e sentenciou "ficamos todos". Essa cumplicidade é algo que realmente não tem preço. Conheço muito marido por aí que teria surtado nesse momento. Aqui, aproveito para fazer um comentário extra. Toda vez que o telefone toca na madrugada, ele pula da cama comigo e corre conferir baterias, cartões e arrumar todo meu equipamento que, por ventura, não esteja em ordem. Marido de ouro esse - melhor não espalhar muito - reza a lenda que esse tipo de coisa a gente não conta prazamigaz (melhor mentir e dizer que não sabe lavar louça e adora futebol - assim o olho grande não cresce pro meu lado *rs). 
Voltando ao nascimento do Tutu...
Declarado oficialmente que eu ficaria, precisaria apenas esperar a Raquel, doula, dar o sinal verde para eu ir até Campinas, onde o mocinho nasceria. Não aguentei esperar os "dez minutinhos" da Raquel e já me mandei pela estrada. Claro que cheguei antes da parturiente - ansiosa que estava, não ficaria esperando em casa de jeito nenhum. 
A Ju chegou com uma calma só dela, com a Raquel, a doula mega especial que a acompanhou durante todo o processo de descobertas na gestação. Linda. Tivemos alguns minutos de espera na recepção e, ao subirmos, fomos direto ao centro obstétrico. Lá nos esperava a Mariana Simões, uma médica fantástica que Campinas tem o prazer de acolher. Com aquele olhar confiante, dizia à Ju que ela conseguiria sim, seu filho estava prestes a nascer.
Cabe salientar que o Artur é o segundo filho da Ju e do Ale. O primeiro, nascido de uma cesárea desnecessária, abriu as portas para novas descobertas. Agora vinha o segundo bebê, para mostrar à Ju que seu corpo era capaz não só de gerar, mas de parir um filho. A alma, com a cicatriz ainda dolorida pelo primeiro parto que lhe fora roubado, foi acalentada pelo cheiro daquele parto, por aquele novo filho que chegava. E assim foi. Num trabalho de parto rápido e lindo, veio ao mundo Artur. E a mãe, enfim, acreditou que era capaz. 
Ju, feliz por ver seu sonho realizado e poder fazer parte dessa história linda. Love ya!
Ale, minha admiração por você ter sido esse marido especial, estando ao lado da Ju durante todo o processo de busca por informações e ajudando tanto durante o nascimento do tutu. Você é O cara. ;)
Em vez de fotos, deixo o vídeo desse momento. Que ele possa tocar e inspirar a vida de todas as mulheres que o virem assim como, algum dia, outros vídeos tocaram e inspiraram a Ju durante sua busca pelo seu tão sonhado parto natural. 
Beijos,



Equipe: 
Obstetra: Mariana Simões
Neonatologista: Maria Otilia Bianchi 
Doula: Raquel Oliva (comparto.com.br)
Pai e massagista: Alexandre  
Fotógrafa: Kelly Stein